Dança Tufo: um estilo que celebra a mulher e a fé no norte de Moçambique

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Entre os sons dos tambores e o colorido vibrante dos tecidos de capulana, há uma dança que encanta, emociona e preserva séculos de história: o Tufo (ou Tufu). Com origem nas zonas costeiras do norte de Moçambique, especialmente na Ilha de Moçambique, Nampula e Angoche, o Tufo é um símbolo de identidade, fé e resistência cultural.

Neste artigo, vamos descobrir o que é o Tufo, onde é praticado, quem dança, e por que ele continua tão vivo no coração do povo macua e muçulmano moçambicano.

Origem e significado da dança Tufo

O Tufo tem raízes na cultura muçulmana suaíli e foi introduzido na costa moçambicana por meio das trocas entre árabes, persas e povos africanos. Com o tempo, ganhou forma própria no contexto moçambicano, especialmente entre os povos Macua, tornando-se um marco cultural do norte do país.

Originalmente, o Tufo era dançado para celebrar o profeta Maomé e outras festividades religiosas. Hoje, também é praticado em casamentos, feriados, cerimónias comunitárias e até festivais culturais.

Quem dança o Tufo?

Tradicionalmente, o Tufo é dançado apenas por mulheres. Elas se sentam no chão ou em bancos baixos e, ao som de tambores e vozes, realizam movimentos coordenados com os braços, cabeça e pés. A dança é marcada pela força da expressão facial e pelos versos cantados em Emakhuwa, Kiswahili ou Árabe.

Em alguns contextos contemporâneos, homens também participam, especialmente no canto ou na percussão.

Instrumentos e música

O principal instrumento do Tufo é o tambor tradicional, feito de madeira e pele de animal. Ele dita o ritmo dos movimentos e guia as coreografias. Além dos tambores, a voz tem papel central — os cantos são carregados de espiritualidade, amor, louvor e até crítica social.

Cada grupo de Tufo tem o seu próprio estilo de canto, trajes e forma de dançar, o que reforça a identidade local.

Capulana, cor e orgulho

As dançarinas de Tufo usam roupas coloridas, quase sempre capulanas iguais, blusas bordadas e lenços na cabeça. A indumentária é parte do espectáculo visual e carrega significados culturais profundos.

A uniformidade nos trajes representa união, disciplina e o orgulho da tradição. Os gestos são suaves, mas firmes, mostrando respeito, graça e identidade feminina.

Função social e espiritual

Mais do que entretenimento, o Tufo é uma manifestação espiritual e educativa. Ele fortalece os laços entre mulheres, transmite valores religiosos e promove o empoderamento através da cultura. Muitos versos entoados no Tufo são, na verdade, formas poéticas de ensinar, aconselhar ou até criticar de maneira respeitosa.

Onde ver o tufo em Moçambique

  • Ilha de Moçambique: Grupos tradicionais se apresentam em festas locais e no Festival de Cultura.
  • Nampula (cidade e arredores): Tufo é comum em casamentos e eventos religiosos.
  • Angoche e Mossuril: Fortes tradições muçulmanas mantêm viva essa expressão.

Durante festividades como o Eid ou feriados nacionais, é comum ver apresentações abertas ao público.

Tufo hoje: entre a tradição e a modernidade

Apesar das mudanças sociais, o Tufo continua firme. Grupos de jovens mulheres estão a revitalizar a dança, gravando vídeos, organizando apresentações e participando de concursos culturais. É uma forma de preservar o passado e projectar o futuro, com orgulho de ser moçambicano.

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